sábado, 30 de maio de 2009

Jornada nas Estrelas - O Filme

(Star Trek, EUA, 2009)

Embora sempre tenha sido super apaixonada por ficção científica, nunca fui muito fã da série "Jornada nas Estrelas". Preferia a trilogia Guerra nas Estrelas.

Quanto o filme Jornada nas Estrelas saiu, meu marido (que é fã da série desde sempre) me convidou pra ir ao cinema. Topei, claro. Achei que seria um filmaço. Não me decepcionou.

O filme é bem do estilo que eu gosto, um prato cheio tanto pra quem é fã da série quanto pra quem é fã de ficção científica.

Bem feito, bem elaborado, bonito.... adorei. Saí do cinema com aquela sensação de 'quero ver de novo'. Até o Spock da série antiga estava lá marcando presença fazendo uma ponta.... simpático.

No elenco, Chris Pine (Kirk), Zachary Quinto (Spock), Leonard Nimoy (Spock velho), Zoe Saldana (Uhura), Karl Urban (Bones).

Esse filme conta como o capitão James Kirk chegou à 'Federação' e se tornou capitão da Enterprise, aquela nava bacana que inspirou tantas outras em vários filmes do gênero.

Acho legal a concepção de emoção dos Vulcanos (como o Spock). Existe uma crítica muito grande pois o Spock, muitas vezes, parece não sentir as coisas. E não é nem de longe o que acontece com ele. Spock tem o que todos buscamos: o controle das emoções. Sentir é bom, é normal, mas perder o controle das emoções é o que nos traz tantas dificuldades e nos impõe tantos sofrimentos.

O que acho legal nessa história toda é que estamos vendo acontecer coisas que antigamente eram consideradas completamente impossíveis. Quem sabe num futuro próximo teremos mais novidades? O que mais há por vir, o que mais a ciência vai descobrir possível?

A ficção científica tem uma função muito interessante, ela ajuda as pessoas a "sonhar', ou a pensar de maneira mais livre, menos enclausurados no possível e no impossível que rege as culturas do mundo inteiro. Pensar "dentro da caixa" é um mal que se alastra, se espalha como uma pandemia. E aí, o mundo perde a inteligência e criatividade de pessoas que poderiam agregar tanto valor à sociedade. Ninguém tem o direito de tolhir a imaginação e os sonhos das pessoas.

Pra mim, ficção científica representa liberdade de sonhar. E toda vez que me deixo levar por um filme desses, como Jornada nas Estrelas, é como se eu estivesse matando as saudades de casa.
Sentimento engraçado, mas nada mais é do que o desejo que temos de sair do mesmo, de buscar algo além daquilo que vivemos diariamente em nossas vidas. Algo que nos lembre da importância da vida, de que somos capazes de tudo o que somos capazes de sonhar. Sem sonhos não existem realizações.

Então... claro, vale a pena assistir Jornada nas estrelas.

Veja o trailer do filme aqui:

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Livro: TAO - Sua História e Seus Ensinamentos

Conheço muito pouco do Taoísmo e gostei muito de tudo o que li a respeito até hoje! Senti uma felicidade imensa à medida que lia esse livro do indiano Osho (1931-1990).

O Taoísmo surgiu a partir dos ensinamentos do mestre chinês Lao Tzu (ou Lao Tsé), que escreveu um único livro em toda sua vida, o Tao Te Ching. Lao Tzu viveu no século 6 AC.

Fiz algumas anotações de coisas que achei muito interessantes e ao longo do post, quero compartilhar com você algumas das pérolas que encontrei nesse livro. Esse post vai ficar um pouco longo, mas achei que valia a pena.

Nasci em família "dividida", católica por parte de pai e espírita por parte de mãe. Hoje em dia não sei bem definir minha religião, se é que tenho alguma. Ando achando isso de importância pequena em meio à grande gama de idéias maravilhosas que estão aí disponíveis em várias culturas religiosas. Por que temos que "ser" uma religião e não podemos simplesmente "ser" uma colcha de retalhos, formada por várias idéias maravilhosas provenientes das mais variadas correntes? Acho que devemos!

Para começar, preciso reproduzir uma das frases mais repetidas no livro "O TAO que pode ser explicado, não é o TAO absoluto."
Essa frase vem totalmente de encontro ao que Vivekandanda defendia e que colocou de maneira muito feliz no livro "O que é religião". Ele defendia que todas as religiões são verdadeiras e que cada uma detém um pedaço, uma percepção da verdade. As religiões se complementam!

Osho (na foto ao lado) explica que quando a pessoa vive no TAO, a religião não é necessária. Claro! Quando a pessoa está saudável, não precisa de remédio. Quando não está perdida, não precisa de mapa.

Tao significa caminho. Para o Taoísta, o caminho é o grande objetivo e não algo que está no futuro, por isso o presente é de extrema importância. E, claro, o caminho não pode ser ensinado pois cada ser é um indivíduo único, cada um cresce de acordo com suas própria escolhas e experiências.

Osho também fala da dualidade do mundo material. O Tao é único, mas no momento que se manifesta, precisa se tornar dois. Mas os opostos não são realmente opostos, e sim complementos que formam uma mesma energia.

Embora muitas dessas idéias pereçam óbvias, num primeiro instante nós não as aceitamos verdadeiramente. Precisamos nos descondicionar para conseguirmos nos entregar. Precisamos desconstruir nossos preconceitos e "tirar o pensamento da caixinha". As técnicas que utilizamos buscando o contato perfeito com o divino, ou o que uns chamam de nirvana outros de samadhi, etc, não nos dará a divindade. Essas técnicas existem simplesmente visando nosso descondicionamento.
Estamos tão preocupados em fazer coisas úteis que esquecemos de nos divertir. Aí, a vida parece perder o sentido porque o sentido surge no equilíbrio entre o útil e o "inútil". O buscador verdadeiro não é um conquistador!!

Vimos homens e mulheres falando de amor com seus atos, vivendo pelo amor, pela busca da espiritualidade. Essas pessoas não vivem pela conquista pois somente o ego conquista, elas se tornam merecedoras de receber a bênção da conexão com o TAO, Deus.

Para o Taoísta, não é necessário nadar, devemos apenas fluir com o rio, pois afinal, todo rio, no final, chega ao mar. É a famosa história do agir pelo não agir.

Num ponto do livro ele fala sobre um problema que afeta enormemente nossa sociedade atual. Diz que se não soubermos como ficar em silêncio, o silêncio fica pesado. Não é por falar, dizer coisas que nos comunicamos. Falando simplesmente nos descarregamos. A verdade é sempre percebida em silêncio pois ela é uma experiência e não um pensamento.

Para estarmos repletos de Deus, precisamos estar vazios de nós mesmos. Para Deus existir dentro de nós, nosso Ego precisa morrer.

Um dos discípulos de Lao Tzu chamava-se Lieh Tzu e ele acreditava que o autoconhecimento é imprescindível para a iluminação. Se o próprio conhecedor está em profunda escuridão, todo o seu conhecimento é apenas superficial. E quem se declara conhecedor está comprovando sua ignorância.

De acordo com o Taoísmo, qualquer atividade feita com plena consciência se torna uma meditação. O que importa é como fazemos e não o quê fazemos.

Bem, chega de escrever! Para terminar quero reproduzir um pequeno trecho que achei brilhante: "O insulto só é aceito por aquele que está ferido". Comparando com o arco e a flecha ele diz: "quem insulta está fora de você, na periferia, como o alvo. Você está fundo dentro de você, a fonte. E entre você e a pessoa que insulta está a mente, como a flecha. A flecha sai de dentro de você mesmo."
"A mente funciona como um prisma dividindo as coisas. A verdade, se olhada por meio da mente, parece se dividir em várias."

Gostaria de indicar esse livro a você que busca o sentido superior da vida, o caminho do meio. A você que precisa entender que o caminho é a finalidade.

Adorei, tanto que nem a tradução me incomodou. Leia, vale a pena.

ISBN: 8531608791.

Veja o livro "TAO - Sua História e Seus Ensinamentos" no Google Books.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Filme: Presságio

(Knowing, EUA, 2009)

Bobo e mal feito. Bastante morno.

A história de "Presságio" poderia ter até rendido coisa boa e o Nicolas Cage tem cacife pra dar mais do que deu. Mas.... não sei como alguns filmes simplesmente não dão certo. Achei a história mal explorada e muito apelativa.

Esse é um dos filmes que achei que iria gostar muito. Não gostei. Pra falar a verdade, vi até o fim por teimosia.

A história é a seguinte: um professor universitário se vê em apuros com seu filho pequeno após o falecimento da esposa numa catástrofe em outra cidade. Entre encontros e desencontros, o garoto recebe um envelope que havia sido colocado, junto de muitos outros, numa urna há 50 anos atrás. Na época, as crianças daquele colégio desenharam como eles acreditavam que seria o futuro em exatos 50 aninhos à frente.

Bem, o garoto recebe um envelope com uma folha cheia de números. Seu pai, um Cage sério, mal humorado e com uma interpretação pra lá de pálida, descobre um padrão nos números que contêm datas exatas das catástrofes mundiais no período de 50 anos (olha ele na foto acima fascinado pelos números). Pronto.... o restante já dá pra imaginar né...

Mas, o que mais me desegrada em filmes nesse estilo é o desrespeito à inteligência do telespectador.

O filme é escuro, a história mal amarrada e o suspense sem eira nem beira.

Dá pra assistir, mas não é nada muito fantástico.

Fiquei decepcionada com tudo, em especial com Cage que não costuma decepcionar.

De qualquer maneira, a percepção que tive foi de que, nas mãos de outro, esse teria sido um filme bom! Talvez até muito bom.
Assista o trailer de Presságio:

domingo, 29 de março de 2009

Filme: Na Natureza Sevagem

(Into the Wild, EUA 2007)

Filme baseado em fatos reais.

Bem, vou começar com a história do filme. Christopher J. McCandless era um rapaz americano, filho de um especialista em radar que trabalhava para a NASA. Após se formar na universidade de Emory em História e Antropologia com notas altíssimas (para satisfazer os pais) decide largar tudo pra trás e seguir sem rumo em busca de si mesmo. Ele passa quase dois anos andando pelo país com uma mochila nas costas, arrumando empregos aqui e ali somente para seu próprio sustento, fazendo amigos, acumulando experiências e seguindo sua vida do jeito que desejava. Amante dos livros, inteligente e decidido Chris conquistava todos com os quais interagia. Influenciado por personalidades como Henry David Thoreau, Leon Tolstói e Jack London Chris perseguiu experiências novas e enriquecedoras. Era um sonhador.

Completamente desapegado e desprezando o materialismo vazio da sociedade atual, Chris representa o sonho de liberdade de muitas pessoas.

O filme tornou-se fantástico pois conta a trajetória de um rapaz que larga tudo pra trás e segue seu caminho sem dar importância a nada mais. Desejo de tantos de nós.....
Ele despreza dinheiro, despreza carreiras, sociedade e tudo o mais que aprisiona as pessoas.

É fácil concordar com Chris nesse ponto. Mas, tenho que ser franca aqui, já que estou expondo a minha opinião. Chris fugiu da realidade de uma maneira altamente poética, enquanto que nós, muitas vezes fugimos da realidade que nos incomoda, através de outros caminhos. Alguns trilham o caminho da bebida, outros das drogas, outros da comida, e assim por diante. Chris escolheu o caminho da solidão, da liberdade física para alcançar a liberdade interior. Mas não deixou de ser uma fuga. Fugiu do descontrole familiar, das coisas com as quais não concordava, dos problemas com os quais não coneseguia lidar, das mentiras, da injustiça...

Neste mundo tão louco onde o egoísmo impera em todas as frentes, Chris, um garoto legal, respeitador da natureza e das pessoas, foi tão egoísta quanto qualquer um de nós que vivemos guiados pela marcha da sociedade. Sumiu, seguiu sua vida sem se preocupar com o sofrimento daqueles que lhe queriam bem.

Para mim, a busca é interior, e não exterior. Ao contrário de um anjo, Chris me pareceu um atormentado, como quase todos nós. Me pareceu alguém com o espinho da mágoa cravado no coração, alguém que não soube lidar, não soube digerir, não quiz enfrentar os problemas. Fugiu.

A cada dia que passa, mais me certifico de que nossos pais não são culpados de nossas dores, derrotas, nossas amarguras. Eles não são santos que vieram do céu para nos receber. Aquele que tem uma infância conturbada precisa de mais força para vencer suas próprias dificuldades. Mas, devemos entender que os problemas da infância não devem delinear todo o nosso caminho. Nem tudo o que somos hoje tem origem em nossa infância por culpa de nossos pais. Tantas vezes eles erraram conosco, mas outras tantas eles acertaram. Somos viajantes que cruzaram várias etapas e esta vida é somente uma dessas etapas. Já passamos por outras, e passaremos por muitas mais.
Se nossos pais algum dia nos ofenderam, mesmo que sem querer, aceitamos a ofensa porque estamos fracos. Temos muito o que aprender...
Família é isso, todos ensinamos e aprendemos ao mesmo tempo. Para mim, família só faz sentido se for uma troca. É, isso mesmo, uma troca de conhecimentos, de experiências, de atenção, de cuidados.... uma troca de amor. Família é muitas vezes, não só aprendizado, mas também reparação, compromisso, oportunidade.

A busca de Chris é linda e acredito mesmo que ele tenha conseguido experimentar um pouco daquilo que ele foi buscar. Para no final, entender que o seu caminho poderia ter sido outro e tê-lo levado ao mesmo fim.

Quando isolado na mata por algum tempo sem comida e sem conseguir caçar ele se sente desamparado, tem saudades, resolve voltar pra casa.... tarde demais.
Muitas vezes em nossas vidas tomamos algum caminho e pensamos "quando eu quiser eu volto", mas chega uma hora que não tem mais volta.... Quão longe precisamos ir para entender que tudo o que precisamos, tudo o que buscamos, está dentro de nós...?

A busca pela evolução espiritual, pelo auto-conhecimento, pela liberdade interior, tem que ser, acima de tudo, movida pela responsabilidade, pela verdade, pelo respeito e com muito amor.

"Na Natureza Selvagem" mostra também o desapego de Chris por tudo o que é material. O desapego que deveríamos todos praticar. O Budismo é um grande defensor e divulgador do que chama de "impermanência". Nada é para sempre e quanto mais a gente tenta pegar um monte de areia e fechar a mão para guardá-la, mais ela nos escapa. Agora estamos bem, mas a impermanência característica do nosso mundo pode mudar completamente nossa vida num estalar de dedos...

O fenômeno McCandless inspirou muitos outros jovens inconsequentes que vão todos os anos para o Alaska em busca dessa aventura sem sentido. Chris McCandless morreu de fome por pura irresponsabilidade. Não levou mapa da região que o permitiria sair daquela situação desesperadora. Chris não sabia que vagões cruzavam o rio a 400 metros de Stampede Trail - onde ele estava - e um abrigo nas redondezas estava abastecido com alimentos de emergência. Morreu a 30 km de distância da estrada do parque.
Deixou uma mensagem que dizia: "S.O.S. Preciso de ajuda. Estou aleijado, quase morto e fraco demais para sair daqui. Estou totalmente só, não é brincadeira. Por amor de Deus, continuem tentando salvar-me. Estou lá fora apanhando frutas nas proximidades e devo voltar esta noite. Obrigado, Chris McCandless."
O filme é bom, valeu o entretenimento.
A história é bonita, poética, mas altamente desnecessária.... e Chris, depois de tantas experiências acumuladas, chega à conclusão mais verdadeira do filme e escreve em seu diário:
Felicidade só é válida se compartilhada !

(na foto ao lado o verdadeiro Chris McCandless)

quarta-feira, 4 de março de 2009

Livro: Um Mundo Sem Pobreza

(A World Without Poverty, 2007)

"Um mundo sem pobreza" (o conceito dentro do livro) é uma obra de gênio.

Sobre o livro, posso dizer que me encantou.

Infelizmente, comprei o traduzido pela facilidade e preço. Não posso dizer que a tradução é ruim, deu o recado muito bem. Mas, se você já leu meus outros posts vai entender a minha resistência contra livros traduzidos. Não vi nada gritante nesta versão para Português do livro do Prof. Yunus, mas é muito fácil perceber frases com construções não utilizadas no nosso idioma. Isso, já de início, me desagrada. Questão de gosto. Mas, tudo bem, o livro é interessante o suficiente para me fazer ultrapassar este problema e me encantar com a beleza das idéias deste grande homem.

Prof. Muhammad Yunus - também autor do livro "O Banqueiro dos Pobres" - foi, juntamente com o Banco Grameen (de sua criação), o ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2006. O leitor deve estar se perguntando como um "banqueiro" ganhou um prêmio Nobel da Paz em vez do da Economia ou similar.... pois é, na verdade, tudo o que o prof. Yunus faz tem o objetivo maior de alcançar a paz mundial. Ele luta há anos contra a pobreza que avassala seu país natal, Bangladesh. E acredita que, quanto menos pobreza, menos guerras, menos inveja, menos revolta... mais paz.

Homem de aparência doce, tranquila, é um verdadeiro leão na luta a que se propôe. Doutor em Economia, Docente da Universidade de Daca, Prof. Yunus começou sua caminhada contra a pobreza após se dar conta das dificuldades financeiras dos povos que moravam nas proximidades da universidade onde lecionava. Decepcionado com o sistema capitalista - segundo ele, cheio de teorias bonitas mas ineficazes contra a pobreza - pesquisou a fundo a vida dos aldeãos das aldeias próximas. Descobriu que muitos deles eram terrivelmente explorados por agiotas. Ajudado por alguns de seus alunos, fez uma lista dos empréstimos que os aldeãos pegavam para comprar matéria-prima para fabricação de artefatos de vime, e emprestou, do próprio bolso, àquelas 42 pessoas o total de US$ 27 (!!). Os pobres tomadores daquele pequeno empréstimo devolveram o dinheiro conforme acordado. Assim, prof. Yunus se deu conta de que poderia fazer a diferença. Difundia-se aí o conceito do microcrédito. Foi por sua coragem e determinação que surgiu o Banco Grameen, organização mundialmente famosa que já auxiliou milhões de pessoas pobres na luta para sair da pobreza.

Após este empreendimento de sucesso, e não satisfeito com o que já havia alcançado, Prof. Yunus lançou outros projetos de tanta importância quanto o primeiro, vários inclusive seguindo o conceito criado por ele de empresa social. A Fundação Grameen, é detentora de outras inúmeros empreendimentos nas mais diversas áreas.

Em 2007, após um período de estudo e construção, a Fundação Grameen, juntamente com a multinacional francesa Danone, lançou a joint venture Grameen Danone. Uma empresa social com o objetivo de fornecer iogurtes altamente nutritivos a preços bem baixos para as crianças desnutridas de Bangladesh.
A descrição do projeto, desde o primeiro encontro com o presidente da Danone Sr. Franck Riboud até o lançamento da fábrica de iogurtes, é empolgante. Achei tudo tão fantástico que teria continuado lendo sobre a criação da empresa horas a fio.

Outro projeto interessante é da Fundação Green Children, que já abriu em Bangladesh, um hospital de olhos com preços diferenciados para os pobres. O projeto é ambicioso e pretende virar uma cadeia de hospitais. Esse projeto foi desenvolvido com os músicos Milla Sunde e Tom Bevan, da banda The Green Children.
Este grande homem nos pede que pensemos sobre nossas vidas, sobre o motivo de nossa existência e lamenta "estamos tão ocupados com o nosso trabalho diário, vivendo nossa vida, que esquecemos de olhar pela janela e descobrir onde estamos neste exato momento da nossa jornada". Como incentivo ao raciocínio ele diz "quando soubermos onde queremos ir, chegar lá será muito mais fácil" .

Prof. Yunus fala muito sobre a educação e a função da escola. Hoje em dia estamos todos sendo preparados para seguir o método capitalista, o dinheiro acima de tudo. Estudamos anos a fio seguindo as mesmas teorias econômicas, administrativas e sociais. Estamos sendo ensinados a pensar "dentro da caixa". Nossas idéias não são livres, não somos nem de longe empreendedores no pensamento. Prof. Yunus, em nenhum momento menciona religião, filosofia ou coisa do gênero, mas seus atos e pensamentos são prova concreta de que ele é seguidor da melhor dentre todas as religiões: a religião do AMOR.

Ele também nos adverte quanto às limitações impostas pela sociedade. É realmente um perigo nos acostumarmos ao pessimismo e ficarmos "dentro da caixa" acreditando que o que queremos é impossível, ou pior, acreditando que queremos o que os outros querem, robotizando nossas vidas.

Prof. Yunus é um exemplo vivo de persistência e confiança em si, em suas idéias. Acima de tudo, confiança em suas intenções.
Sabiamente, ele não apoia programas assistencialistas como os que temos no Brasil, Bolsa Família, Bolsa Escola, bolsa geladeira, bolsa cerveja, bolsa chambinho, bolsa coca-cola, bolsa turismo, bolsa bichinho de estimação, bolsa não sei mais o quê, bolsa tal e tal..... diz que aceita que o Estado dê dinheiro aos mais pobres, mas somente para que sirva de ponte para que os pobres alcancem a independência financeira. Prof. Yunus defende o estímulo ao empreendedorismo inato no ser humano e é para isso que levanta a bandeira da concessão do microcrédito à população de baixa renda, pequenos empréstimos a juros baixos e sem garantia de pagamento por parte do tomador. Incrivelmente a taxa de pagamento dos empréstimos que concede aos pobre de Bangladesh é de aproximadamente 98%. Nem um banco comercial com todas as precauções consegue este feito.

Prof. Yunus esteve no Brasil em 2008 para participar de um evento sobre gestão dirigido a executivos. Nessa ocasião se encontrou com o presidente marinho brasileiro, nosso famoso Lula.
Eu realmente gostaria de ver o Brasil seguindo os conceitos pregados pelo Prof. Yunus. Dar aos pobres não é suficiente. Ele mesmo diz que o dinheiro doado só faz bem uma vez e acaba. Mas uma fundação como o Grameen, ou como uma empresa social, está sempre renovando o dinheiro, extendendo o benefício a outras pessoas.

Não preciso nem falar o quanto eu gostei de ter lido "Um Mundo Sem Pobreza", não é?

ISBN: 9788508119943, Ed. Ática, Ed. 1, 2008

No custíssimo vídeo abaixo (em inglês), Prof. Yunus fala rapidamente sobre a pobreza. Assista: